Ana, Georgina, Madalena, Maria da Conceição e Hermínia são varinas de Lisboa. Reúnem para o chá das cinco, envolvidas pelas brumas e memórias de Catarina de Bragança, a monarca que levou o hábito do chá para Inglaterra no séc. XVII e lançou as suas folhas em taças de água quente pela corte de Londres. Todas nascidas em Lisboa e ligadas ao mar por profissão, as cinco amigas deixam transparecer o orgulho em ser varinas.
A cor ostentada por cada uma destas mulheres-sereias de sangue alfacinha transmite o seu mais profundo Ser… Desde Georgina, com o seu Negro profundo de homenagem a Catarina de Bragança e a sua seriedade intrínseca, passando pelas restantes amigas de infância, Ana, Madalena, Maria da Conceição e Hermínia, a cor de cada uma conta-nos um pouco da sua história.O sol de Lisboa brilhando nas águas do Tejo reflecte-se nas saias de Ana e no seu espírito estrelar. Os olhos de Madalena e o seu verde translúcido de romances e aventuras, lidos com paixão, derramam nos seus vestidos. O azul do céu espelhado no Tejo é-nos trazido pela doceira desta confraria doméstica, Maria da Conceição, que apesar de conservadora, traz o doce como seu encanto, deliciando e fazendo viajar quem prova os seus petiscos à hora do lanche. A arrebatar de paixão, envolta em todos os sons, sabores e Luz de Lisboa, chega à mesa do chá Hermínia. O seu rosa delicado é o sal de uma Cidade que junta o Tejo ao Mar, os marinheiros às varinas.